Foi em 2008, na altura com 16 anos, que embarquei naquela que considero ser a minha primeira grande viagem. A culpa, essa é da Joana, a minha namorada, que foi a principal responsável por me arrastar para este “estilo de vida”. Desde então, acabei por me tornar num apaixonado pela arte de viajar, mas na maioria das vezes, o que importa nem sequer é o destino, são os planos, a descoberta, o movimento… o ir.

Quem nunca se perdeu a ler um mapa e acabou por descobrir um local ainda mais interessante do que aquele a que tinha planeado a ir? Viajar é perder-nos nas ruas estreitas de Veneza, na calma de Zurique ou até mesmo no rebuliço de Londres. A cada esquina há uma viagem, e algo à espera de ser descoberto.

© Bruno Amaral

Copenhaga, cidade de contrastes

O frio gélido e o vento cortante fazem lembrar o ártico, mas ao chegar à cidade, percebe-se facilmente que Copenhaga é tudo menos remota e desabitada.

Aqui as bicicletas dominam, são aos milhares, de todas as cores e para todos os gostos, numa das cidades mais ecológicas do planeta os carros ocupam um papel secundário e grande parte das pessoas opta pelo exercício físico ou por um transporte elétrico. Para onde quer que se olhe, imperam edifícios enormes, todos eles antigos, mas bem mantidos. Os tons escuros e acastanhados das fachadas contrastam com as cúpulas verdes e douradas que aparecem, como salpicos, pelas inúmeras igrejas e palácios da cidade. Tudo em Copenhaga invoca a realeza, num país em que toda a gente parece gostar de ser súbdito.

Um dos países mais felizes do mundo, segundo o último World Happiness Report da ONU, não admira, de facto aqui toda a gente parece ser feliz, e nem o instável clima lhes tira o sorriso da face. Para além de não ter aderido ao euro e ainda utilizar a coroa, a Dinamarca é um país com um vasto poder económico, o que faz com que as pessoas tenham uma excelente qualidade de vida.

Desta feita, os preços na cidade são bastante altos, uma simples refeição (para uma pessoa) pode chegar facilmente aos 20 euros, e uma viagem de metro, seja para onde for, vale 36 coroas (4,80€), o próprio sistema de metro é surpreendente, para além de ser totalmente automático (não tem condutor), não existem quaisquer portas a barrar a entrada no cais. Só valida o bilhete quem quer, e levou algum tempo até descobríssemos um pequeno poste, por baixo de uma escada, em que era suposto passar o ticket.

Na verdade, o nível de vida na Dinamarca é tão alto que as autoridades confiam nas pessoas para que comprem os bilhetes sem lhes impor portas ou barreiras de acesso, as pessoas vivem tão bem que não têm necessidade de enganar ou fugir a seja o que for, nem a um simples bilhete de metro, algo que em Portugal seria impensável, e um bilhete custa 1,40€, não 4,80€.

Nunca descurando a enorme herança real e mantendo todos os seus palácios num estado impecável, Copenhaga é uma cidade em constante evolução, e o turismo tem vindo a acompanhar as tendências da capital.

O famoso “Nyhavn” (Porto Novo) é um autêntico museu a céu aberto, digno de um quadro do mais famoso dos pintores, os edifícios alinhados esboçam uma paleta de tons pastel que se reflete nas águas negras do canal, os barcos antigos, atracados na margem, posam com orgulho para as fotografias dos turistas. O ambiente é mágico, quase como que uma viagem no tempo.

Apesar do seu tamanho reduzido, a estátua da Pequena Sereia, um dos ex-líbris da cidade, não tem um minuto de descanso, constantemente rodeada de turistas agarrados a um selfiestick para conseguir a tal fotografia, volta e meia há um que escorrega nas rochas e vai ao banho. Entre muitos outros, estes dois locais continuam a ser as principais imagens de postal da cidade, mas hoje em dia novas atrações começam a aparecer.

Em zonas remodeladas da cidade como a Jaegersboggade, começam a emergir novas lojas e restaurantes que tendem a proporcionar outro tipo de experiências aos visitantes. Já o centenário parque de diversões “Tivoli” continua com todo o seu esplendor, a fazer as delícias dos viajantes, os imaculados jardins oferecem uma pausa ao movimento da cidade.

Para quem vai com um orçamento mais simpático (ou não!), é incontornável um passeio pela “Stroget”, a mais longa rua pedestre do mundo, aqui encontra-se de tudo, do mais caro ao um pouco menos caro, pelo meio é frequente aparecerem alguns artistas de rua, alguns deles com atuações dignas de gorjeta.

Fora da cidade, apanhando o metro até à estação “Kastrup”, encontramos o “Den Bla Planet”, Aquário Nacional da Dinamarca, o maior da Europa do Norte. Este encherá certamente as medidas de qualquer turista, pelo preço de um bilhete de adulto (160 coroas, cerca de 21€) poderá visitar todo o aquário e os milhares de seres marinhos e tropicais que nele residem.

Copenhaga é uma cidade que o irá certamente deixar com um sorriso no rosto, ainda que a chuva ou o vento gélido o acompanhe em 20 das 24 horas do dia. A ONU acertou, a felicidade das pessoas é evidente e contagiante, fazendo com que qualquer um se sinta acolhido e com vontade de regressar.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Acho o texto engraçado mas eu vivo na Dinamarca e muita coisa do que diz ai não é verdade.
    Os dinamarqueses sempre a sorrir? So mesmo nas lojas para turista ver! Nos sorrimos muito mais e estamos sempre mais bem dispostos que um dane! E so paga 4,8euros por uma viagem de metro quem não se informou sobre o assunto! Eu pago no maximo 24kr 😉

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