Coração Luso e Além Fronteiras criam parceria

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O Coração Luso e o site Além Fronteiras celebraram uma parceria que visa dar mais e melhor informação à comunidade emigrante.

O Coração Luso e o site Além Fronteiras celebraram uma parceria que visa dar mais e melhor informação à comunidade emigrante. O Além Fronteiras que surgiu para “facilitar a vida dos profissionais de saúde no Reino Unido, faculta também informação e ajuda no processo de mudança e adaptação a uma nova realidade profissional, cultural e pessoal”. Par nós, esta parceria é de extrema importância para a comunidade emigrante que deseja estar bem informada, informar os nossos emigrantes é o nosso objetivo, como sabemos são cada vez mais os enfermeiros que saem de Portugal, em busca de melhores condições laborais, por esse motivo faz-nos todo o sentido aliar-nos ao Além Fronteiras.

Desta parceria espera-se a partilha e criação de conteúdos que tenham interesse para a emigração portuguesa.

 

Nuno Pinto, 38 anos, natural do Porto é o mentor do Além Fronteiras e esteve à conversa com o Coração Luso

Em 2016, quando saiu de Portugal para trabalhar no Reino Unido, quais foram os principais motivos e porquê o RU?

Saí de Portugal em 2005. Apesar de ser enfermeiro há já 6 anos e com um emprego estável numa área que gostava – cuidados intensivos – ao ponderar o futuro e analisar o que aí vinha para a profissão, percebi que dificilmente seríamos reconhecidos profissionalmente pelos avanços académicos (em 99/2000 tivemos os primeiros licenciados em Portugal), e que a progressão na carreira seria sempre muito complicada. Como queria ter a oportunidade de progredir na carreira, de conhecer novas realidades pessoais, culturais e profissionais, arrisquei.

 

Recorda os primeiros dias num outro país? Como foi a adaptação?

Tive a felicidade de nos primeiros tempos viver com uns amigos, também enfermeiros, que tinham tomado este passo uns meses antes de mim e que me acolheram em casa deles. No início é sempre complicado adaptarmo-nos a ter que pensar e falar numa nova língua, encontrar emprego, não ser atropelado porque olhámos para o lado errado da estrada mas,sendo Londres por natureza uma cidade de emigrantes, é sempre mais fácil quando se percebe que não somos os únicos nesta aventura e começámos a percecionar as mil e uma oportunidades que uma cidade deste tipo tem para nos oferecer.

 

Tem ideia de quantos enfermeiros trabalham neste momento no RU? É um número bem diferente da altura em que emigrou?

Portugal está atualmente entre as 10 nacionalidades com mais enfermeiros no Reino Unido, sendo o número de aproximadamente 2000. Quando comecei eramos 15…uma grande diferença portanto!

 

O que distingue os enfermeiros que agora procuram um futuro no Reino Unido? (idade, experiência…)

Em 2014 fiz um estudo em conjunto com o observatório da emigração, onde percebemos que a maioria dos enfermeiros é recém-licenciada ou com menos dois anos de experiência.

Na minha altura só aceitavam enfermeiros com experiência porque ainda não conheciam muito bem os enfermeiros Portugueses assim como o seu valor. Para ter uma ideia, eu demorei quase 3 meses a encontrar um emprego, enquanto os meus colegas, atualmente, são recrutados ainda em Portugal e chegam a uma sexta para trabalhar na segunda feira seguinte!

 

Como carateriza a comunidade portuguesa de enfermeiros no RU? Como acha que os enfermeiros portugueses são vistos pelos britânicos? 

Como em tudo, e considerando que há cada vez mais enfermeiros, temos os excelentes profissionais, os muito bons, os bons profissionais e aqueles que são mais ou menos. Mas no geral, os enfermeiros Portugueses (e profissionais de saúde) são bem vistos tanto pelos doentes como pelos colegas, e temos muitos exemplos de colegas que progrediram na carreira e estão agora a trabalhar em posições de chefia ou como especialistas.

 

Considera que a saída do RU da UE poderá prejudicar o recrutamento de enfermeiros portugueses para o RU?

Se acontecer pode afetar sobretudo a mentalidade dos profissionais que querem trabalhar no RU e fazê-los sentir mais receosos perante a possibilidade de trabalhar no país. No RU, assim como acontece para qualquer outro país, os profissionais de saúde serão sempre muito requisitados e terão entrada facilitada pelos países de destino. Um bom exemplo são as ilhas do canal, onde os requisitos de entrada e alojamento no território são extremamente restritos, e os enfermeiros não têm problemas em encontrar colocação.

 

Como surgiu a ideia de criar o site Saúde Além Fronteiras?

Este site é uma evolução natural de um outro site, “diáspora dos enfermeiros”, que foi crescendo entre os enfermeiros e que nos levou a sentir necessidade de alargar o âmbito para outros profissionais de saúde por um lado, e de oferecer informação em saúde aos Portugueses que estão fora por perceberemos, a partir da nossa experiência, que estes terão um acesso mais díficil à informação e cuidados de saúde por estes serem providenciados numa língua que não é necessariamente a sua.

 

Qual os principais objetivos do site?

O “Além Fronteiras” ambiciona interligar e informar a comunidade portuguesa que pretende iniciar um novo percurso no estrangeiro, tendo como principais objetivos:

  • Dar a conhecer informação sobre os países de destino;
  • Auxiliar os profissionais de saúde a procurar novos desafios de trabalho num País desconhecido;
  • Prestar apoio na área da saúde a todos os portugueses que estão fora de Portugal.

 

Onde é que o Saúde Além Fronteiras quer chegar?

Para já queremos afirmar-nos como um site de referência para os Portugueses no Reino Unido, e um sítio onde estes sabem que podem encontrar informação isenta sobre como viver no Reino Unido, acesso à saúde, etc.; assim como estabelecer mais parcerias para nos apoiarem no projeto e a chegar ao nosso público alvo. Com o tempo, temos intenções de alagar para outros países da Europa.

 

Quando emigrou, se existisse um site como o Saúde Além Fronteiras teria sido mais fácil?

Quero acreditar que sim pois certamente não teria cometido alguns dos erros que na altura me custaram tempo e dinheiro. O site serve para isso mesmo, propiciar que as pessoas com um pouco de leitura e preparação prévias tenham um processo de transição e acomodação no novo país de forma mais fácil. O facto de oferecermos serviços relativamente acessíveis em conjunto com os nossos parceiros também pode ajudar nesta intenção!

 

Neste momento qual o feedback que tem tido acerca do site?

Muito positivo. Os números de visitas têm crescido e recebemos bastantes pedidos de ajuda e informação. Os concursos que temos feito são também muito bem recebidos!

 

Entristece-o, de alguma forma, saber que grande parte dos profissionais de saúde formados em PT tenham de sair para outros países para trabalhar? Como acha que se poderia abrandar esta fuga?

Mais do que isso, fico triste por Portugal ser um país onde a população não recebe os serviços de saúde de qualidade a que tem direito por inabilidade política e pelos interesses instalados. A saída dos profissionais de saúde é algo tão natural como a saída de outros profissionais. Num mundo cada vez mais global e “pequeno”, graças aos transportes e novas tecnologias é natural que as pessoas trabalhem em sítios diferentes ao longo da sua vida. Pode ser que um dia Portugal perceba o valor que estes profissionais que estão fora têm e crie condições para ser competitivo na atração desses mesmos profissionais. Se este governo foi buscar um investigador ao RU para ser ministro pode ser que pense em ir buscar profissionais de saúde, especialistas na sua área para melhor servir a sua população!

 

Que conselho quer deixar aos enfermeiros que estão a pensar em deixar Portugal? 

Se para comprar um telemóvel ou umas viagens temos normalmente o cuidado de pesquisar e tentar saber o máximo possível sobre as alternativas, ler testemunhos de utilizadores e revistas da especialidade, para algo tão importante como mudar de país e de vida na busca de uma nova carreira profissional, ainda mais importante será ter o cuidado de saber ao máximo o que nos espera. E como em tudo na vida, espírito crítico e “caldos de galinha” é essencial! Por outro lado, um enfermeiro nunca terá “ruas paveadas a ouro” à sua espera, pelo que ofertas boas demais para ser verdade, em regra não são mesmo verdade!

 

Saiba Mais

saudealemfronteiras.com facebook.com/alemfronteirass

 

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Mara Alves
É a fundadora do Coração Luso. Licenciada em Jornalismo e Comunicação, pós-graduada em Jornalismo e mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Foi na Rádio que começou, chegando a colaborar com a Rádio Renascença. Na televisão passou pela RTP2, TVI e, mais recentemente, RTP Internacional. É apaixonada por histórias, gosto que herdou do seu avô. É emigrante no Reino Unido.

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