© Raquel in Dreams

Quando és inicialmente confrontado com a ideia de emigrar, das duas uma: ou sabes que é temporário e que eventualmente voltas para o teu País ou então vais com a ideia de “vamos ver no que dá”, sabendo perfeitamente que a possibilidade de te instalares permanentemente no estrangeiro é real.

A forma como estas duas possibilidades são abordadas tem um grande peso na forma como te relacionas com os teus amigos. Não digo família, porque tradicionalmente nós Portugueses somos bastante chegados à família e isto não acontece.

No meu caso, emigrei com a segunda ideia mencionada acima. Vim para Inglaterra sabendo perfeitamente que a ideia de regressar a Portugal era bastante diminuta. No inicio foi complicado, admito. As saudades de casa e da comida custavam mas acima de tudo fazia-me falta o conforto psicológico que é saber que estava na minha zona de conforto.

Perdi tudo isso a partir do momento em que o avião descolou. Deixei de pertencer a Portugal mas na verdade também não pertencia a Inglaterra. Fiquei quase como órfã e não consigo evitar sentir-me assim mesmo que pouca gente o compreenda.

A realidade inicial era que os meus amigos metiam posts no meu Facebook, comentavam as minhas fotos a dizer que tinham saudades e para eu voltar; quando eu ia a Lisboa faziam questão de me ver e as conversas mantinham-se inalteradas.

Depois, sem eu perceber muito bem como, tudo isso mudou. Os comentários nas fotos passaram a ser apenas um Like ocasional, as mensagens passaram a ser recebidas com semanas de intervalo.

Quando emigras apercebes-te que começas a perder aniversários, baby showers e nascimentos mas vês tudo isso acontecer através do écran de um computador. Perdes casamentos porque um convite nunca chegou. Porque naquele momento, a tua amizade já não é importante nem forte o suficiente para festejar um evento que (supostamente) acontece uma vez na vida. É-te dito que foi preciso fazer escolhas e tu manténs a postura mas por dentro ficas na merda porque sabes que se fosse ao contrário, nao haveria sequer escolha possivel sobre a presença de A ou B.

Não passas duma memória distante prestes a desaparecer da mente daqueles em quem tu ainda pensas quase diariamente. Porque afinal, foste tu que te foste embora.

Tu continuas num País que nao é o teu. O teu coração mantém-se em Lisboa e em Lisboa, a vida continua sem ti.

Os teus amigos continuam a fazer jantaradas e almoçaradas, continuam com o dia a dia e com planos para o fim de semana, vida essa da qual tu já não fazes parte. Continuas a testemunhar as amizades que se mantêm e começas a observar que há pessoas novas nessas fotos que tu não sabes quem é nem nunca ouviste falar.

Quando finalmente, sim FINALMENTE estás de férias e sentes que finalmente vais poder respirar de novo porque estás em casa, fazes de tudo para estar com os teus amigos e mostrar que a amizade se mantem. Tens coisas que queres partilhar e queres saber as novidades. Entristece-te quando eles pouco ou nada tentam porque o diariamente continua e é complicado planear coisas com 3 ou 4 meses de antecedência.

Mas tu precisas desses três ou quatro meses para conseguires um voo com um preço mais acessível e porque precisas marcar férias no trabalho. Gostavas de um pouco mais de compreensão mas ao final do dia foste tu que te foste embora.

Vai chegar o dia em que as mensagens que já tão raramente acontecem, vão cessar.

Vai chegar o dia em que vais estar de férias mas tu própria já não vais enviar mensagens de grupo a avisar que estás por perto e que adoravas ver aquelas pessoas que fazem o teu coração ficar quentinho. Porque mais uma rejeição daqueles com quem cresceste vai doer e já custa a dor que sentes diariamente num País que não é teu.

Vai chegar o dia em que tu há muito que és uma memória distante e que vais ter que aceitar a nova realidade em que te encontras.

Vai chegar o dia em que vais ter que aceitar que és de nacionalidade e criação Portuguesa mas que a cada dia que passa começas a ser menos e menos uma emigrante e cada vez te misturas mais com a cultura Britânica. O sotaque já não soa Americano porque aprendeste Inglês a ver filmes; pedes desculpa e obrigada 40 vezes por dia. Sabes que definitivamente algo mudou em ti quando ficas solenemente irritada com a falta de cortesia de algumas pessoas em situações mundanas como a ausência de um acenar de mão quando cedes passagem.

Vai chegar o dia em que aqueles com quem cresceste vão ser uma memória distante porque para atenuar a dor e não largares tudo aquilo que tanto lutaste num País que não é teu, não tens escolha.

E para deixares de te sentir órfão, tens que fazer uma escolha. E a escolha apesar de difícil, e aquela que te vai manter no rumo que escolheste para ti, para a tua vida e para os teus. Se estás no mesmo barco que eu, força! Porque para a frente é que é caminho.

62 COMENTÁRIOS

  1. Sofia Estrelinha, o seu artigo tocou bem forte no meu coração, não porque esteja na sua situação nem tão pouco pertenço à sua faixa etária mas…
    Sou da África do Sul mas vivo em Portugal há 22 anos, tendo passado pelo Canadá e Reino Unido com a minha família, as minhas duas filhas que foram a única razão para deixar o meu país, o meu continente muito amado. Gosto de Portugal em si, mas ainda hoje me sinto e sou tratada como estrangeira, tal como seria se hoje voltasse ao meu país…tudo se esfumou!
    A força que nos impele para outras paragens pelo mundo fora, com as suas razões fortíssimas para cada um de nós faz-nos olhar para as pessoas de uma forma que é muito nossa a qual é inexplicável para alguém que nunca tenha saído da sua zona de conforto e sempre rodeado pelo que lhe é familiar durante uma vida.
    A minha filha mais velha seguiu as nossas pegadas, quando a sua situação profissional se tornou insustentável, agarrou no marido e nos seus três pequeninos e lançou-se também para um lugar onde pode exercer a sua profissão com respeito e dignidade. Bom, como uma amiga ainda ontem me disse: “Milay, nunca conheci uma família de espírito mais aventureiro…” Isso fez-me sorrir, porque olhando para trás, afinal, adorei o meu percurso até aqui, e aos 62 anos ainda era capaz de mais uma voltinha…..
    Irei ler os seus artigos apaixonadamente. Desejo que a sua estrelinha da sorte a siga sempre! Obrigada

  2. Querida Sofia,
    Ler o seu artigo foi uma delicia para a alma!
    Que continue sempre com essa força inspiradora que carrega toda a sua experiência
    de vida num lugar diferente!
    Obrigada

  3. OBRIGADA pela descrição exacta do sentimento que nos invade todos os dias e da nossa realidade… Portugal estará sempre no coração, mas a nossa vida poderá não se desenvolver no nosso país…
    Sou portuguesa (Caldas da Rainha, Leiria) e em 2014 parti do nosso país para França (Lyon)…com 2 filhas (4 e 7anos) e vontade de lutar pelo presente e futuro…
    Ao contrário do que muitos pensam… muitas foram as lágrimas que chorámos, as saudade… Mas ultrapassámos e vamos avançando a cada dia.
    Agora, Portugal é destino de férias para estar com a família e visitar o mar… ouvir o rebentar das ondas e sentir à maresia…
    Mais uma vez… MUITO OBRIGADA e tudo de bom

  4. Minha querida Sofia, gostaria imenso de a poder contradizer, mas tudo o que diz é a verdade mais sincera. Quando nos ausentamos um pouco, sentimos que realmente a importância que temos não é assim tanta. Mesmo quando migramos, as coisas acontecem da mesma forma o que é lamentável. Infelizmente, estamos a perder o que de melhor tínhamos, a união, os encontros, porque ninguém tem tempo para esperar. Força para a sua nova batalha <3

  5. Tenho saudades do meu pais, dos amigos e da família. Estou num país que me acolheu como se fosse um deles. Pela qualidade de vida,prefiro estar onde estou. O meu filho passa o dia a brincar na rua com os filhos dos vizinhos, em Portugal já não há crianças e as que há, ficam o dia inteiro em casa ou quando andam fora, não se socializam com os outros. Onde estou, o clima é óptimo, as pessoas espectaculares e por mais dificuldades que passem um ou outro, é incrível às 6 da manhã já se ouvirem risadas e verem as pessoas bem dispostas na rua.E há sempre um bom dia, boa tarde e boa noite, na rua no prédio ou no café. A verdade é que espero ficar cá por muitos anos.Estamos bem!Estamos em Moçambique!

  6. Sofia Estrelinha. Que gostosura ler teu relato e identificar os mesmos sentimentos! Tenho 65 anos e tomei um avião do Brasil para a Europa com planos de por aqui ficar. Teu texto me dá boas razões para ficar triste (saber que as mensagens vão rareando) e alegre (porque para a frente é que é caminho).

    Abraço.

  7. Estou completamente de acordo com tudo que diz e já senti isso duas vezes na minha vida. Os meus pais imigraram para os Estados Unidos quando tinha 11 anos e passou por isso tudo que me disse. Vinte e quatro anos depois voltei para Portugal que era a minha terra e senti tudo outra vez. No meu próprio país senti-me imigrante. Agora passados 21 anos de estar em Portugal tudo está normal e graças as novas tecnologias até voltei a refazer amizades deixadas tanto da primeira imigração como da segundo. É triste que seja assim mas como os meus filhos dizem home is where the heart is. Bjs e tudo de bom para si.

  8. Exactamente isto! Escreveste o que todos nós, jovens emigrantes, sentimos e não sabemos explicar. É complicado lidar com tudo isso but at the of day… home is where you want home to be. Quem tem que ficar na nossa vida, fica. O resto é resto. A nós que ás vezes não sabemos se devemos rir ou chorar por tão “perdidas” que nos sentimos, muita força e coragem!! Beijinhos de Angola!

    • Obrigada pelo testemunho… Sou apenas mais uma jovem emigrante que vive e sente tudo o que foi escrito… Beijinhos de Angola

  9. Estou em Inglaterra ha 4 anos e compreendo perfeitamente o que sentes embora no meu caso seja diferente. Às vezes não é preciso emigrar para estar longe e se cair em esquecimento. Tudo depende da nossa atitude. Acho q o facto de não estarmos no nosso país nos ajuda a perceber quem são os nossos verdadeiros amigos e se preocupam connosco e fazem um esforço p estar connosco.

    Força!

  10. Olá…as vezes também me sinto assim…parece que aqueles que conheço a anos…ficaram lá atrás…os momentos…as amizades….😶mas a vida continua…apesar de longe estão comigo os mais importantes….e isso para mim basta…um bjinho e força para todos os que estão no mesmo barco!

  11. Ao ler este texto reparei que se o tivesse escrito eu, não tería mudado uma virgula. Reconheço-me nele como se fosse eu o autor… Sómente eu juntaría um parágrafo, para poder dizer a minha revolta para com os políticos portuguêses que 49 anos depois da minha partida para França, ainda só encontraram como solução ao problema, convidar os portugueses a emigrar. 😡

  12. A verdade é dói. E o que mais dói é a realidade de termos de lidar com as nossas escolhas e cairmos no esquecimento. De seguida olhamos para trás e deixamos de existir, tomamos uma nova referência​ um novo código de barras. E restam-nos apenas as boas recordações…
    Nunca ninguém irá entender, até passar pelo mesmo. O tempo passa, mas gostaríamos que não passa-se, gostaríamos de clicar no botão recuar e perceber como tudo foi para o ar.. e eis a resposta: o tempo não parou, pois tu continuaste…

  13. Não me vou alargar muito, mas vim de frança aos 7 anos, sempre estive entre Portugal, França e Suiça…e em Portugal em várias cidades do mesmo…e só te queria dizer que não é necessário saíres do país para isso acontecer…e por vezes nem da própria cidade…a isso chama-se vida e o seu percurso natural! Tenho 38 anos e grande parte dos meus amigos sentem isso sem nunca terem mudado de cidade, mas as pessoas foram mudando! Aceitar e viver plenamente onde nos encontramos é viver no agora! Sei que não é fácil, e acredita que nem sempre conseguimos compreender o quanto é simples e apenas está em nós, nas nossas expectativas e frustrações! Se estivesses em Portugal seriam outras situações a “magoarem-te”, portanto Vive e Sê no Aqui e Agora!

  14. Vou tratar-te por Sofia apesar de não te conhecer, mas gostava.Pois conseguis-te transmitir a ideia os sentimentos e tudo aquilo que qualquer emigrante e imigrante sente e perde quando abandona o seu lar.Gostei imenso do teu texto e também desabafo , pois é isso que ele é.So nos resta isso quando estamos longe de tudo que um dia amámos do fundo do coração.Por fim digo-te que me sinto como tu, sem naçao.E já agora eu estou no Luxemburgo.Desejo-te tudo de bom.

  15. Boas Sofia… Há 5 anos que estou na Lapónia sueca… Isto é fantástico mas sinto falta do mm que tu… E digo omm que tu… Em frente é o caminho… Ou como se diz na minha terra siga pra bingo!

  16. Ai! Quero emigrar para a Australia…. e doi ler estas coisas…. senti cada palavra e doeu! Sei que vou passar por isso, e não quero….

  17. Olá. Não somos da mesma idade, no tempo em que sai se casa não era tão fácil ficar em contacto, mas passei pelas mesmas fazes, sentia que era forasteiro cá! !!! E solitário na minha zona!!!! Os meus amigos seguiram caminho as amizades deixaram de ser tão fortes. E sim acabei por me sentir triste e frustrado. Mesmo sendo migrante cá no nosso país.

  18. Olá. Não somos da mesma idade, no tempo em que sai se casa não era tão fácil ficar em contacto, mas passei pelas mesmas fases, sentia que era forasteiro cá! !!! E solitário na minha zona!!!! Os meus amigos seguiram caminho, as amizades deixaram de ser tão fortes. E sim! Acabei por me sentir triste e frustrado. Mesmo sendo migrante cá no nosso país.

  19. Sofia, que texto… tens razão em tudo o que escreveste. Senti as tuas palavras de forma intensa porque identifico-me completamente. Não sei se possa dizer que isso é mau sabes, porque ao fim ao cabo apesar de todas as indecisões e mágoas que a nossa partida possa ter causado, ao fim ao cabo nós sabemos que décimos o melhor para o nosso futuro. E ficam as memórias. O passado ninguém o apaga, e quem sabe um dia (talvez!) a vida dê a volta nesse aspecto. Anyway, life goes on!
    Obrigada pelas palavras e por teres tido a “coragem” de te libertares dessa dor. Adorei. xx

  20. Olá Sofia é uma realidade todo o teu texto,estou na Bélgica há 10anos e parece uma interinidade e ainda hoje muitas lágrimas eu deito com saudades do meu país vivi muitos anos em Lisboa e é por essa cidade maravilhosa que eu sinto mais saudades mas tem de ser assim tenho filhas que começaram aqui a escola e outras que estão acabar olho para elas e sei que ao dar lhes uma vida melhor também lhes tirei a infância,adolescência de liberdade que poderiam ter no nosso país.Temos de seguir em frente.Quero te dar os parabéns por teres partilhado a tua dor.ADOREI BEIJINHOS ÉS UMA GRANDE MULHER.

  21. Este texto descreve o que me vai na alma desde que cheguei cá a Alemaha a 17 anos…. E muito triste mesmo mas só que passa por isto é que sabe… Força a todos nós emigrantes…

  22. Boa noite Sofia.. Gostei imenso de ler o teu Blog, embora me parece um realista é um pouco fatalista. Eu emigrei desde 2012 , primeiro para Timor e agora para Frankfurt. A amizade é algo muito forte e quando é algo verdadeiro não se perde de forma alguma. O que acontece é que medida que vamos envelhecendo afastamos-nos de alguns amigos. E quando vais para fora, a Nostalgia “aperta”, e como tal, vem a reflectindo e quando das conta, alguns amigos passam a conhecidos. Emigrar é um processo de crescimento pessoal ,e, na maior parte das vezes profissional. A questão é aceitas o desafio ou não? Ao inicio, senti um aperto no coração por ter deixado, parte daquilo que construí, mas hoje sei, que sou um exemplo para algumas pessoas amiga e até mesmo conhecidas… Obrigada

  23. Boa noite Sofia.. Gostei imenso de ler o teu Blog, embora me pareça realista é um pouco fatalista. Eu emigrei desde 2012 , primeiro para Timor e agora para Frankfurt. A amizade é algo muito forte e quando é algo verdadeiro não se perde de forma alguma. O que acontece é que medida que vamos envelhecendo afastamos-nos de alguns amigos. E quando vais para fora, a Nostalgia “aperta”, e como tal, vais reflectindo e quando dás conta, alguns amigos passam a conhecidos. Emigrar é um processo de crescimento pessoal ,e, na maior parte das vezes profissional. Quando processo de emigração
    e bem feito…A questão é, aceitas o desafio ou não? Ao inicio, senti um aperto no coração por ter deixado, parte daquilo que construí, mas hoje sei, que sou um exemplo para algumas pessoas amigas e até mesmo conhecidas… Obrigada

  24. Lindo e verdadeiro…imigrei para Portugal, por lá fiquei 10 anos até retornar para as minhas terras, de volta para o meu achonchego eu trouxe na mala bastante saudades da linda Lisboa…por lá encontrei amigos que compartilharam comigo histórias e segredos, encontrei Sofia de sorriso aberto, carinhosa e meiga, com tantas histórias de superação e que caminhou três anos comigo no curso espetacular do qual fizemos parte…Linda Sofia na minha mala trouxe as histórias de Portugal..lá também ficou marcada a feira do livro em que por longas horas até o cair da noite trocávamos histórias e sonhos de dias que ainda estariam por vir…naqueles dias emigrava eu…hoje emigras tu….Grande beijo e parabéns pelo excelente artigo.

  25. Adorei e identifico-me perfeitamente com isto…. deixamos de fazer parte de algumas vidas mas isso também nos ajuda a ver quem é mesmo amigo e quem não é…
    Estou em Moçambique e vou ficar por enquanto, a qualidade de vida que temos e que dou ao meu filho não se compara!

  26. Gostei muito, claro que me identifico com tudo o que escreves…. vivo em Angola há 22 anos e quando cá cheguei quase nem telefones haviam, foi muito dificil mas hoje….gosto daqui apesar das dificuldades. Beijinho e boa sorte para todos nós imigrantes

  27. Sofia, como eu te entendo…
    Mas, e há sempre um mas… Os teus verdadeiros amigos estarão sempre lá. E eu falo por mim. Os outros, os pseudo, tiveram a importância que tiveram, mas sinceramente os novos preencheram bem essa vaga. Desilusões teremos sempre. Quando ao futuro, claro voltarei um dia (e já lá vão 20 anos), para me juntar ao grupinho de sempre, nessa altura mais cotas, mas com o mesmo espírito, a amizade. Já faltou mais… Beijinho.

  28. Tudo isso é muito mais é sem dúvida sempre uma escolha muito difícil … estou a vinte anos na Alemanha e nunca deixei de pensar um bocadinho que seija naquele nosso cantinho acolhedor que um dia fui quase obrigado a deixar para trás .😢😢😢

  29. Não mudaria uma virgula Sofia…excelente texto!! sem Duvida identifico-me também com cada palavra que escreveste!! Mas como bem disseste…força para a frente é que é caminho!!
    Beijinho e obrigado por partilhares.

  30. Grande texto ! É exactamente aquilo que eu sinto , cheguei com a minha namorada à Islândia há 2 meses , temos ambos o trabalho seguro e a qualidade de vida aqui é muito melhor aqui mas estou a sentir muitas dificuldades em “sentir me ” em casa . Apesar de tudo o caminho é para a frente ! Força a todos os emigrantes e mais uma vez grande desabafo !

  31. Tão verdade Sofia! Esta frase para mim diz tudo: “Porque mais uma rejeição daqueles com quem cresceste vai doer e já custa a dor que sentes diariamente num País que não é teu.”
    Tenho muita sorte que fiz a escolha por opção e não por falta de opções. Sou feliz neste país que me acolhe e não tenho intenções de voltar antes da reforma. Mas dói sempre quando amigos não de sempre mas que pensavas para sempre deixam de fazer o esforço de te dispensar 1h do tempo deles.

  32. Obrigada querida Sofia por me relembrares da realidade dura que é viver ca… identifico me em cada palavra, em cada sentimento, em cada angustia e cada medo..fazermos de conta que somos fortes por vezes é complicado.. muito complicado! Sorrir..mas de coraçao partido!!
    A unica certeza é que nao perdemos a familia.. esses tao sempre do nosso lado e nunca nos deixam.. ja os amigos.. alguns deixaram de se importar no dia em que dissemos que nao havia mais nada que Portugal nos pudesse oferecer e teriamos que vir.. esses.. nem uma mensagem de apoio ou força!
    Espero apenas que os amigos que ainda restam sejam para a vida..
    Mas sim esta vida é uma luta constante.. e um dia.. talvez um dia voltemos a Portugal!!
    Um beijinho e força!!

  33. Sofia
    A tua mensagem é tão real que dói
    Como sei o teu sentimento. Também fui (ou ainda sou) imigrante.
    Em 2011, fiz um poema, adaptado a um instrumental já conhecido,
    e que gostaria de partilhar contigo a letra do mesmo.
    Força e não desanimes

    Dedicado a ti
    O IMIGRANTE

    Partiu um menino
    Do seu país
    Foi o destino
    Que assim o quis

    Levei na bagagem
    Muitas ilusões
    Levei muitos sonhos
    E recordações

    A Bethlehem eu cheguei
    Cidade do aço, e já velhinha
    E a proclamei
    Que ela p´ra sempre fosse minha
    E a ela dei
    Tudo o que tinha

    O tempo passou
    Lá fiz minha vida
    E tudo quanto eu sou
    A Bethlehem é devida

    Mas do meu cantinho
    Eu nunca esqueci
    Lugar pequenino
    Adonde eu nasci

    Um dia regressei
    Para o meu País, p´ra minha gente
    Mas não encontrei
    Os amigos que tinha antigamente
    Assim é a vida,
    Do imigrante

    Agora bem longe
    De onde eu andei
    Lembro dos amigos
    Que por lá deixei

    Das nossas aventuras
    Dos nosso amores
    Das nossas loucuras
    E dos dissabores

    Daqueles momentos
    Dourados da nossa mocidade
    Que agora ausentes
    Lembrarei p´ra toda a eternidade
    De Bethlehem, tenho saudade

    Beijinhos

  34. Muito, muito bom. Não são necessárias mais palavras porque foi tudo dito. Obrigada por este desabafo tão pessoal, real e comum. Senti-me compreendida. Muita sorte e força

  35. Identifiquei-me com tudo o que disseste. Realmente quando nos mudamos, deixamos de nos sentir na nossa zona de conforto. Deixamos de ter o mesmo círculo de amigos e todas as rotinas mudam. Passamos de muito importantes a meros conhecidos nas redes sociais. É incrível como os hábitos se alteram e nos passamos a sentir órfãos. Senti muito isso quando me mudei da Amadora para Sintra!…
    …até que encontrei um novo mundo, de amigos, de experiências, de desafios e percebi que só se sente órfão quem quer. E isso, como sempre, pode acontecer quando me mudo 10kms ou 10000kms.

  36. Faz já algum tempo que não estou em Portugal e além de tudo o que foi dito no texto, noto que cada vez que vou a casa existe aquela loja que sempre vi aberta e agora já não existe, a vizinha que faleceu, a rua ou escola em que fizeram obras e já está completamente diferente. E para mim todas essas mudanças fazem com que em cada visita seja mais complicado dizer que estou a ir a casa. Sou um turista na terra onde nasci.

  37. Lindo texto .

    Eu acabei por sair de Portugal pela segunda hipótese . Estou feliz onde estou , assentei praça com armas e bagagens , não quero voltar a Portugal, vou de férias e cada vez menos .

    O meu único desejo é que os meus amigos venham se juntar a mim um dia .

    Os verdadeiros amigos não precisam de coloca me um post ou um like . Sabem onde está a minha porta e eu sei onde está a porta deles. Apareço amanhã no sofá deles como se fosse meu por direito sem perguntas sem olhares .

    Sinto que não tenho pátria . Mas também não concordo nem quero saber de quem governa essa pátria . Aliviado estou por não estar sobre alçada .

    Vivo a minha vida. Fora dessa ditadura .
    Sinto que respiro liberdade todos os dias , isso faz me ficar longe dos que me amam. Mas é o preço que eu escolho pagar .

    Não tenho pátria .
    Tenho passaporte .
    Tenho milhas .
    Tenho família
    Tenho liberdade
    Tenho amigos

  38. Estou exatamente na mesma situação! Ler esta publicação foi como fazer uma introspecção que muitas vezes evito, porque dói, face a esta nova realidade. Muitas vezes reprimimos este tipo de pensamentos porque começamos a achar que deve ser alguma característica pessoal nossa uma vez que do lado de lá continua tudo igual. Não foram os nossos amigos que mudaram, fomos nós que mudamos de país, de cultura, de língua, de moeda e até de modo de conduzir. Tudo isso acarreta mudanças de personalidade e de maneira de pensar. Só estou em Inglaterra há quase um ano mas não sou sequer a mesma pessoa que era no mes passado. A cada dia novos desafios, às vezes um pouco de preconceito, outras vezes uma aceitação por parte de outros que nos faz olhar para a humanidade de uma forma super positiva.

    Ter este tipo de conversas com alguem que não passa pela mesma situação e simplesmente como estarmos a falar para uma pessoa surda: ela está presente mas não ouve e tem dificuldades em entender. E a verdade é que muitos podem pensar que nos comecamos a tornar meio britânicos e até acham que isso é mania nossa, quando no fundo não é… são simplesmente influências que sofremos e como convivemos nesta cultura diferente passamos a ter diferentes hábitos e maneirismos. Não que achemos que isto é melhor do que Portugal, é simplesmente diferente! Um novo modo de vida com coisas positivas e outras nem por isso. É incrível como conseguimo nos adaptar mesmo que de início com dificuldades. Conseguimos nos superar muitas vezes, desanimamos outras tantas ou mais! Cada dia é uma luta e a cada dia temos uma vitória-mais um dia superado! Até que já não imaginamos a nossa vida como era em Portugal. Quando volto sinto me estranha com a condução e até a atmosfera parece tão diferente. No fundo sinto falta de pessoas, da família, de alguns amigos, da comida e as vezes do bom tempo. Mas sinceramente como fiz tanto esforço de início para me habituar a Inglaterra, quando regresso a Portugal não consigo deixar de sentir que é o meu país mas que já não me encaixo já começo a não pertencer ali!

    Obrigada pela partilha 🙂 you made my day!

  39. Excelente, estou há 4 anos em Inglaterra, e também vim com a ideia mais de fazer por cá a vida do que voltar um dia para Portugal. E hoje em dia, a não ser que o Brexit me “expulse” não vou voltar para Portugal. Só queria acrescentar que isto de emigrar não é para todos, temos que ter um espírito forte e sermos capazes de muitos sacrifícios. Não emigrem a pensar que vão chegar, ver e vencer em 5 minutos. Passamos por mil e um testes à nossa determinação em ficar no início. É preciso sermos mais racionais que emocionais, e lutar contra as saudades de tudo. Mas tudo passa e um dia dás conta que na ausência do teu antigo mundo já construíste um outro .

  40. Gostei ,conforme lia pensava que era eu que estava a escrever ,tambem venho de Lisboa,hoje quando vou de férias fico contente de estar no meu pais que é o mais lindo do mundo,e sou uma turista no meio de tantos turistas ,equando falo,perguntam me se sou espanhola,,eu digo,sou PORTUGUESA tenho tanto orgulho que sem querer transmite esse amor pelo Portugal ao meu filho,ele sabe que sou uma turista Portuguesa em PORTUGAL,hoje sinceramente estou contente que todos os amigos amigas familiares,esqueceram-se de mim ,.Obrigada e muita felicidades e boa continuaçao.

  41. Ola Sofia,

    Muitos parabens pelo artigo. No meu caso vivo em Edimburgo e emigrei porque não tinha emprego. Mas e exactamente como me sinto. Mas não consigo sentir a cultura da Escócia como minha. E ao fim de todos estes anos não creio que isso vá acontecer. Obrigada e boa sorte

  42. Ao ler este texto fiquei sem palavras. E todas as palavras que quis escrever desde que saí de Portugal foram encontradas aqui. Fiquei triste por sentir cada frase, por ser tão verdade, mas senti-me também feliz e com forças, porque como eu, existem tantas pessoas que sentem o mesmo. Não é mais nem menos, mas exactamente o mesmo! Eu já cheguei à fase em que agora sou eu quem deixei de contactar os “amigos” quando vou a Portugal de férias. O entusiasmo de rever caras amigas já desapareceu, porque como tu dizes tão bem, o esforço que nós fazemos para marcar voos e afins, não é valorizado. E o dinheiro que juntamos durante meses para rever as caras que nos fazem (faziam) sorrir? Ninguém vê… porque como tu dizes tão bem, no fim do dia, nós é que fomos embora… Os meus amigos não me perguntam se estou bem, durante 4 anos era eu quem perguntava como eles estão, como que a dizer “eu estou aqui sozinha, gostava de desabafar”. Agora, ao fim de 5 anos fora do país, sou eu que não quero visitar, quero estar com a minha família, e talvez um ou dois amigos de longa data. Porque agora, só quero estar uns dias em paz, sentir a brisa do mar, sentir que estou onde nasci e onde cresci, e a maior parte das vezes apenas quero sentir esses momentos comigo mesma. A vida dos outros continua, a minha também.

  43. As coisas são mais fáceis quando entendes e aceitas que és cada vez mais um cidadão do mundo, e que o teu lado camaleonico é tao maior que alguma vez imaginaste. No fundo todos almejamos ser felizes. Se-lo aqui, se-lo ali, só depende de nós, da maneira como nos sentimos realizados e agradecidos porque somos daqueles a quem a vida deu uma oportunidade chamada emigração. Não é para todos. Integrar, absorver, vivenciar, criar laços é um processo que nos atravessa a vida todo. Descobrimos os pais, a familia, o desafio da escola, o medo do primeiro emprego, etc..etc. Emigrar é só mais um.passo. Nada como desfruta-lo. Português sou, mas sou já também um cidadão do pais que me acolheu. Drama? Não. Um privilégio.

  44. EXCELENTE texto, eu notei e comentei estas situações com os de cá de casa e mais acho que ficámos imigrantes do nosso país (Portugal)

  45. Olá.
    Como emigrante, discordo deste texto, e faco-o com base numa resposta de um amigo meu, após ele o ter lido.
    Transcrevo aqui a resposta dele:

    Tudo tem prós e contras, estás longe de parte da tua família, mas conseguiste criar mais condições para os teus filhos, e para isso é preciso coragem.
    Quanto aos amigos, só perdemos aqueles que nunca foram, aqui só posso falar por mim. Quando vos vejo é como se o tempo não tivesse passado, é como se ainda fossemos apanhar o 39 [era o número de um autocarro de dois andares, mítico, que operava em Lisboa no tempo em que estávamos a estudar no Liceu Passos Manuel no Bairro Alto].
    Por isso eu acredito que quando apanhaste o avião, não pedeste amigos, apenas filtraste alguns.
    As redes sociais ajudam a manter os contactos, e se te lembrares, muitas vezes esta é a unica forma de falarmos uns com os outros, mesmo quando moramos perto uns dos outros.
    Eu acho esta visão um pouco negativa, mas isto é o ponto de vista de quem nunca emigrou.
    Tens de ver as coisas de um lado sempre positivo, e tu tens uma grande capacidade de fazer isso.
    Quanto a mim, eu estou sempre aqui (seja lá onde for), para mim vocês não emigraram, apenas mudaram de Morada.

    • Este texto e’ como ela sente. Emigrar nao e’ so apenas mudar de Morada! Mudar morada enquanto estas no mesma cidade, provincia ou pais (dependente do tamanho do pais). Mudar de Morada nao e’ preciso de um aviao para ter contacto pisica com os amigos dia a dia! A menina escreveu sobre “saudade”, relacoes distantes e sentimentos que ela sentiu! Ela deve ter historias lindas das suas experiencias na Inglaterra… e gostava de ver outro texto das coisas bonitas da imigracao! Talvez a proxima?

  46. Dear Sofia, this was a beautiful article, although sad … many of us can relate! Stay strong! Be Portuguese! Maintain your roots…. you will find your place in England or any place you choose to immigrate to. Best of Luck and Thank you for sharing your beautiful story. It brought back feelings and tears! XOXOX

  47. Revejo me neste texto com algumas excepções, quando emigrei pensei que era temporário e por pouco tempo mas depois fui voltando,ficando,voltando e já vão 9 anos. De facto as sms vão ficando escassas com o tempo mas tenho a felicidade de sentir que ainda sou importante para aqueles que realmente importam pois quando regresso e encontro aqueles que não esqueço e que não me esquecem parece que não passou um dia por nos,mais novidades é certo mas a mesma intimidade. Tenho também outra grande excepção de que entre as duas últimas opções eu escolho regressar muito em breve definitivamente . 😉

  48. boas, vi me em muitas situações parecidas mas outras nem por tal. Aquela mudança que pensavamos que nunca iria afastar a amizade aquelas sms que diminuiam e por vezes dava a sensaçao de eu estar a mendigar uma atençao de uma amiga, aquela primeira vez que fui, esperava uma rececpçao incrivel e nada, o vazio tantas vezes esteve lado a lado comigo pelas saudades do meu recente passado.mas agora vendo a coisa bem as verdadeiras amizades estao la nao podemos exigir uma ligacao forte pois a presençao nao, nao esta la na vida o corpo é intenso pela presença , nao vou condenar a ninguem tantos amores infinitos divorciaram porque a distanciam assim os condenou ! a flor precisa da agua e sol para desabrochar sempre nós comuns mortais somos afortunados pois esta na nossa mao construir relacoes solidas que a distancia nao derruba e deixarmos de encontrar culpados, quantos e quantos vezes ja fomos de alguma maneira esses amigos que deixamos de mandar sms, de seguir com nossas vidas pq fulana x nao esta presente foi procurar vidas melhores.vamos agradecer á vida por dar nos oportunidades sem fim de comecar e recomecar a cada amanhecer e viva a amizade.OS VERDADEIROS AMIGOS ESTAO LA …SEMPRE

  49. Amei o teu texto .
    Graças a Deus mesmo passados 13 anos os meus amigos continuam lá ,estamos sempre em contacto .
    Identifico-me com algumas coisas que escreveste ,o acenar para agradecer passagem estou sempre a reclamar quando conduzo em Portugal 🙂
    Beijos força 😘

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