Simão Miranda é um jovem de 22 anos que abandonou o país que o viu nascer em Agosto de 2016. Oriundo de uma pequena aldeia, Alcaide, situada na localidade do Fundão, Simão tomou a decisão de abandonar a família e amigos em busca da realização das suas ambições profissionais.
Em Portugal era estudante universitário frequentando o terceiro ano do curso de bioquímica na Universidade da Beira Interior ocupação que conjugava com uma outra paixão: o futebol, hobbie que gostaria de um dia tornar profissão.
Atualmente Simão reside em Bienne, Suiça onde trabalha.

 

 

A saída de Portugal

Simão era apenas um jovem estudante de bioquímica que aparentemente tinha todo um futuro pela frente, mas a dada altura começou a aperceber-se que o curso não era aquilo que realmente queria para a sua vida, ainda assim a emigração ainda não lhe tinha passado pela cabeça, “ o interesse pelo estrageiro surgiu de uma maneira inesperada, deixar o curso nunca me tinha passado pela cabeça, até que um tio meu me começou a contar o percurso dele, as oportunidades que lhe tinham sido oferecidas e, acima de tudo, a retribuição que se poderia obter pelo seu esforço e dedicação.”
Foi este o grande ponto de viragem na vida deste jovem que, em Agosto de 2016, tomou a difícil decisão de fazer as nalas e partir para um país onde acreditava conseguir um futuro melhor.
Deixando para trás a família, os amigos e a namorada de há já dois anos partiu em busca de novos desafios e objetivos, embora manifeste uma vontade de regressar a Portugal, confessa que não será num futuro próximo.

 

Adaptação à nova realidade

Apesar de ter sido afirmar estar a gostar da nova vida fora de Portugal, Simão
confessa que nem sempre foi fácil, “quando cheguei, questionei-me se teria sido a melhor opção, visto ainda não ter contrato de trabalho e não conhecer a língua. O primeiro mês foi seguramente o mais difícil, tanto pela distância como pela saudade.” A língua foi, segundo o jovem, a principal dificuldade mas agora, passados seis meses, afirma que “falo e compreendo a língua de uma forma bastante fluente”.
Mesmo com todas as dificuldades que a decisão de emigrar acarretou, o jovem fundanense assume que se integrou bem e que faz de se “misturar” na própria comunidade suíça, uma vez que pretende ficar neste país durante alguns anos, e aqui dar continuidade a uma vida a dois que mantinha em Portugal.
Ana Oliveira, namorada do jovem emigrante, confessou ao Coração Luso que apesar da tristeza e grande saudade apoia incondicionalmente a decisão do jovem uma vez que, segundo ela, “foi atrás dos objetivos que tinha em mente, coisa que talvez em Portugal não seria possível, e isso é realmente o mais importante”, mostrando-se assim muito orgulhosa do namorado “é difícil, mas sei que está feliz e que sente que está realmente a alcançar o que desejava e, por isso, apoio totalmente e orgulho-me de coração cheio.”.

 

As saudades da família

As saudades são o principal sentimento quando se fala em emigrar e Simão conta-nos que para encurtar a distância que o separa dos que mais ama, fala regularmente com eles ao telefone ou por videochamada. Ana, a namorada confessa que não passa um único dia sem falar com namorado pelo menos quatro vezes com ele quer seja via telefone ou videochamada. “O que custa mais são as saudades, a falta do abraço, do mimo, mas sei que estamos ambos a lutar por algo que no futuro será importante para nós. Há dias melhores e piores, quando a saudade aperta, mas quando vejo o sorriso dele pela câmara e ouço a voz dele tudo melhora, e ainda que longe, sinto-o perto.”, afirmou Ana.

 

O regresso a Portugal

Quando se fala no regresso a Portugal, Simão não exclui de todo essa hipótese embora, confesse que num futuro mais longínquo.
“Considero a Suíça um país apaixonante, onde imaginar o meu futuro não é difícil.” afirmou o jovem que confessa sentir-se bastante acolhido no país onde reside atualmente. Mesmo longe de casa confessa que as pessoas que têm cruzado o seu caminho o fazem sentir-se bem e acarinhado.
Apesar de atualmente viverem um relacionamento à distância, Ana assume que pretende juntar-se em breve ao namorado “estou a terminar o curso e quero ir para o estrangeiro trabalhar, nomeadamente Suíça.”, afirmando ainda que “um dia regressaremos a Portugal, mas só num futuro, quando conseguirmos (ambos) alcançar os objetivos e planos que temos em mente.”
Simão, que define Portugal como o seu porto de abrigo, confessa que do que sente mais falta é do calor das pessoas, do carinho através do toque, do abraço de quem ama.
Orgulhoso da sua nacionalidade, dos seus valores, costumes e tradições define Portugal numa só palavra: casa.

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Fábia Rodrigues
Natural do Fundão. É licenciada em Jornalismo e Comunicação pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre. Apesar das dificuldades de empregabilidade nesta área, tem total esperança que esta nova “remessa” de jornalistas e profissionais da comunicação vai revolucionar a área levando o jornalismo de volta para aquilo que realmente é, a transmissão clara e verdadeira de informação. É jornalista no Coração Luso.

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